Representa o descimento de Cristo da Cruz onde foi crucificado e morreu. É composto de quatro figuras: Cristo desfalecido levemente amparado pelas mãos de Nossa Senhora e S. João Evangelista, e Maria Madalena; apenas a parte inferior da cruz e da escada estão representadas, por trás uma mancha dourada enche o fundo, à volta desta o céu, no chão pequeníssimas flores e ervas onde pousa a mão de Cristo morto, se os tecidos e panejamentos tem qualidade de pormenor, as mãos não correspondem a um tratamento anatómico muito bom. É invulgar tanto pela composição como pela apresentação, ou seja lembra um recorte dum momento, como que cristalizou um movimento, um tempo. De notar que os pés de Cristo não aparecem na totalidade.
Foi assim classificado por não existirem certezas absolutas, também porque é enigmático e mais popular do que erudito, poderá ser de autor ibérico que esteve na Flandres ou de artista menor que viajou para outras paragens. As influências variam, trocam-se e adulteram-se por vezes: se duas das figuras (S. João Evangelista e Maria Madalena) parecem Flamengas, as outras duas (Virgem e o Cristo) lembram o estilo Ibérico.
Proveniência
Colecção de Dona Maria Isabel Guerra Junqueiro e Luís Pinto de Mesquita Carvalho
Materiais
Óleo sobre madeira
NÚmero de inventÁrio
PI002
Núcleo
Piso Superior
Data
1.º quartel do séc. XVII
Medidas
Altura: 22 cm
Largura: 33 cm
Função
Tem uma função decorativa, mas é sobretudo um veículo de ensino porque transmite a mensagem. A importância da mensagem obriga os artistas a dominarem o conhecimento historiográfico e iconográfico do assunto tratado. Por vezes, como neste caso notamos alguma liberdade estética e representativa; a composição e a mancha dourada são mais livres do que noutros casos, factos que poderão levar a considerações de qualidade discutíveis, e mais ou menos polémicas no séc. XXI.
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