No canto superior direito, o auto-retrato de António Carneiro, ao poente. Daí parte, numa composição em leque, até ao canto inferior esquerdo, o retrato da sua mulher a três quartos à esquerda, sua filha Maria Josefina, e seu filho Carlos a três quartos à direita. As cabeças estão unidas por uma mancha de sombra. A figura de Cláudio é apontada com um pouco da camisa e gravata, enquanto que dos outros filhos apenas o rosto é trabalhado.
Natural de Amarante, António Carneiro frequentou a Escola de Belas-Artes do Porto (1890-1896), onde foi aluno de Marques de Oliveira. Fez os seus estudos em Paris, na Academia Julian. Figurou na Exposição Universal em 1900, com retratos e composições de inspiração simbolista. Viajou pela Bélgica e pela Itália e fixou-se no Porto, onde expôs, em 1901, o tríptico “A Vida”.
Dedicou-se sobretudo ao retrato, vivendo modestamente das suas sanguíneas. O que mais o atraía era a paisagem, onde exprimia a sua sensibilidade. Pintou também interiores de igrejas. Colaborou na revista “A Águia”, sendo seu director artístico de 1917 a 1927.
Professor da Escola de Belas-Artes do Porto, desde 1918, ocupou o cargo de director em 1928.
Proveniência
Adquirido aos herdeiros de Cláudio Carneiro
Materiais
Sanguínea sobre papel
NÚmero de inventÁrio
93.30.068
ColecÇÃo
Desenho
Data
1911
Medidas
Altura: 59 cm
Largura: 46 cm
Marcas inscrições
Assinado e datado “António Carneiro 1911 - II”
A destacar
A peça evidencia o tom simbolista do grupo de auto-retrato e de retratos da família Carneiro: Rosa, a sua esposa, e os filhos Cláudio, Maria e Carlos. As cabeças estão inclinadas e envolvidas em sentidos desencontrados, equilibrando a difícil relação dos respectivos olhares. Às figuras femininas aplica-se um ar vago e sonhador; às figuras masculinas um olhar penetrante, a lembrar personalidades criadoras. O de António Carneiro apresenta-se particularmente directo.
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